terça-feira, 1 de outubro de 2024

hino do não-inexistente

Não havia a existência nem a não-existência. Não havia o mundo da matéria, nem o firmamento, nem o espaço além dele. 

O que o envolvia, e onde estava? Qual era o seu propósito, quem o protegia? Que água, profunda e insondável, havia?

Não havia a morte nem a imortalidade, nem nada que separasse a noite do dia.  

Aquele Um, em seu envoltório, a si mesmo respirava e não respirava. Afinal, só havia Um e mais nada. 

No princípio, a escuridão era envolvida pela escuridão. Tudo era água cósmica, sem nenhuma distinção. 

Este Um, envolto pelo nada, emergiu através do calor da austeridade. Assim surgiu o desejo, que da mente é a primeira semente. 

Os videntes-poetas, buscando a sabedoria profunda do coração, encontraram a linha tênue entre a existência e a não-existência pela meditação.

O raio (de sua vidência) se estendeu para envolver (a existência e a não-existência). Abaixo e acima seriam separados por essa linha?

Da força em expansão, havia uns que davam semente; outros, que eram potência. Embaixo o esforço, em cima o dar de si.

Quem conhece a verdade? Quem dirá como e de onde tudo surgiu? Os deuses vieram após a manifestação do mundo, então quem sabe de onde ele veio?

Esta criação manifestou a si mesma, ou não? Aquele que a contempla do espaço mais elevado certamente sabe... ou não.

(adaptado a partir de traduções do Nasadiya Sukta, Rig Veda 10:129, disponíveis na internet) 

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