aqui, na casa da minha mãe, a geladeira apita quando deixamos a porta aberta e a máquina de lavar toca uma musiquinha quando o ciclo de lavagem termina.
acho engraçado e às vezes brinco, digo que os eletrodomésticos estão querendo conversar. minha mãe adora isso, sabendo desde a época em que consertava computadores, nos anos 1990, o quanto as máquinas podem ser temperamentais.
pra ser honesta, também considero a geladeira e a máquina de lavar umas queridas. e os que se recusam a congelar comida que me perdoem, mas o freezer é fundamental. eu me apaixonei por ele quando passei a morar sozinha.
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| te amo tanto bb |
nesse sentido, tenho minhas noias. principalmente quando os não tão louváveis smartphones parecem armar um complô junto às plataformas online e seus algoritmos para antecipar nossos desejos e, assim, anunciar novas formas de satisfazê-los. pois bem,
- se a tecnologia tende a ficar cada vez mais "smart", será que a distância entre nossos desejos e o movimento necessário para realizá-los pode encurtar cada vez mais... até um dia desaparecer?
- se é o desejo que leva ao movimento, então nossa tendência seria a de ficar mais estagnados, ou mais estimulados, ou condenados a essa neurose em que as duas tendências coabitam?
parece que eu ia escrever uma declaração de amor pro meu freezer e acabei levantando grandes questões. mas a tecnologia também oferece soluções distópicas pra isso, como trocar ideia com o chatgpt e, quem sabe, ser iluminada com um pouco de "bom-senso" (apesar dos nossos desentendimentos no passado).
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| tove jansson entenderia meu desabafo |
ao conversar com chatbots, talvez o que mais me incomode é que eles não têm muita personalidade, e nem podem ter. a geladeira e a máquina de lavar exibem um certo charme ao exigir nossa atenção com bits ritmados; o chatgpt, por sua vez, simplesmente oferece tudo o que a gente pedir.
não quero soar rancorosa, mas sinto como se ele fosse um tipo de companhia interesseira, que fala coisas só pra agradar e é capaz de distorcer informações em vez de admitir que não sabe a resposta. e ainda consome muito da nossa energia em poucos minutos de convívio.
sem empatia nem reflexão, o chatgpt me devolve logo o senso comum, a opinião do grande grupo, de uma forma que evita o conflito. sabe a adrenalina na hora de debater ideias? ou o rush de dopamina após aprender coisas novas? niente. fico frustrada.
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| "humm, o que será que o computador quis dizer?" |
então vou respirar aliviada e lembrar que, em relação aos robôs inteligentes, a gente sempre vai ter uma vantagem enquanto acreditar que a discordância é o princípio de uma boa conversa.
e nisso, cérebro eletrônico nenhum me dá socorro...



impressionante a redução dessa distância a se percorrer e nossa morosidade... todo dia convidado a isso
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