segunda-feira, 2 de setembro de 2024

google cristo, eu estou aqui

eu queria muito criar um blog. 

ok, ok. esse desejo só surgiu na última semana, após eu ter feito algumas pesquisas no google que me levaram a links deveras inusitados.

um pouco de contexto: no meu último emprego - do qual saí após um burnout desencadeado pelo frisson de lideranças diante dos avanços da IA generativa -, eu queria ser a melhor analista de conteúdo do mundo.

e com isso quero dizer "idiota". afinal, o que me pedissem, eu fazia, e às vezes até passava mais de 8h trabalhando por querer tanto ver resultados (leia-se: lucro dos patrões). foi assim que entrei no universo mágico do SEO.

a tal da otimização para mecanismos de busca acabou me trazendo alguns primeiros lugares na pesquisa do google, e fui me empolgando com a escrita de blog posts. 

formada em jornalismo, sei como é difícil motivar as pessoas a lerem alguma coisa em tempos de vídeos curtos. então conquistar a atenção do google, apesar de também ser um desafio, soava um pouco mais tangível pra mim. 

eu também achava que chegar ao topo das páginas de busca seria um motivo pra me valorizarem no trabalho. e sim, isso fez sentido na minha cabeça até o momento em que percebi que não dava pra competir com a IA generativa.

juro que tentei colaborar. em conversas com o chatgpt, eu pedia para que ele me ajudasse. afinal, não era isso que os charlatões do marketing digital falavam em todos os anúncios direcionados para a minha conta do instagram?

no fundo, eu queria acreditar que quem usasse a IA a seu favor teria um lugar ao sol no futuro do marketing. era só aprender a escrever prompts e comprar a licença paga da openAI, diziam os vendedores de cursos, gurus e coaches marketeiros.

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ainda bem que não gastei dinheiro com infoprodutos do tipo, sabendo que havia algo muito errado nessa história. ninguém precisa ser um gênio pra perceber que o chatgpt é broxante. mas acho que o google demorou pra dar o troco.

nos meses seguintes, inclusive depois de eu ter pedido demissão, os resultados das minhas buscas só pioravam a cada dia. textos ruins, redundantes, mal traduzidos... e sites com aquela aura fake de domínio recém comprado.

depois veio uma atualização que foi o ápice da irrelevância de conteúdos. e outra que dava destaque a respostas de comunidades como o quora e o reddit, causando revolta em muitos especialistas de SEO que assistiram a uma queda dramática no tráfego dos seus sites.

mais recentemente, integraram a experiência generativa de busca que gera um resumo de IA no topo da página, outra polêmica. pra mim, não faz diferença porque não leio esses resumos, só deslizo a tela e clico em algum link que pareça confiável. 

mas aí, o que aconteceu na última semana? ao clicar nesses links, fui pega de surpresa. acabei indo parar em blogs, sites independentes e páginas com html ultrapassado. foi tão lindo. de verdade, parecia um revival da internet na década de 2000.

quando descobri que isso se deve à atualização mais recente do algoritmo, uma esperança se fez em minh'alma: e se ressuscitarem o tempo dos blogs? sei que é muito mais provável vir outra atualização em algumas semanas, mas... poxa, google. por favor, eu nunca te pedi nada.


então escolhi o primeiro nome que me veio à cabeça (uma corruptela de tupperware, metonímia ao mesmo tempo inócua e subversiva), criei esse blog e escrevi este texto. para o azar dos robôs, decidi que não vou otimizar nada.

agora posso dizer que, apesar de desempregada, realizei um desejo meio bobo. ele pode ir pra frente ou não passar da breve defesa de uma causa perdida. de qualquer forma, o próximo passo é melhorar esse template.

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